La société des éléphants Brava, com sua tromba erguida, grita alto uma dos elefantes e bate forte seu pé no chão. Os sons são ininteligiveis para qualquer humano, mas os outros elefantes entendem bem. Por volta de 40,000 antes de cristo os elefantes estão discutindo algumas questões filosóficas advindas da criação de sua primeira ferramenta. Dotados de uma inteligencia ímpar e tremenda capacidade de pensar no futuro, os elefantes estão com dificuldades de entrar em consenso com relação ao uso e criação de ferramentas. A primeira vista parecem boas, ajudam os elefantes a realizar suas tarefas. Isso não seria bom? Alguns elefantes começam a argumentar que a criação desenfreada de ferramentas irá incentivar a competição e escravização dos elefantes diantes aos meios de produção. Isso não é algo que eles estão dispostos a passar. Alguns argumentam que talvez seja possível continuar no processo da criação de ferramentas sem que, para isso, tenha-se de privar a vida das coisas boas. Esses eram os mais jovens elefantes, batendo vigorosamente os pés no chão. Os mais velhos, com a calma forçada pelas adversidades da vida, contra-argumentam. As ferramentas tem o propósito de, exatamente, privar a vida das coisas boas; obrigando seus usuários a exercerem a monotonia. Tal monotonia irá levar o usuário a desistir de sua vida ou criar novos problemas, que muito se assemelham aos problemas resolvidos pelas ferramentas, para que possam continuar a viver. Uma vez que a vida é resolver detalhes, eliminá-los tira o propósito da vida ou requer a criação de mais detalhes. Dessa forma, a solução mais simples é não criar ferramentas. Um dos elefantes argumenta que a vida pode ter como propósito servir aos deuses e a criação de ferramentas poderia ajudar nesse sentido. No entanto é lembrado que esse elefante não participou da reunião sobre a criação da religião e nem foi alertado a respeito. Foi nessa reunião que concluiram que qualquer religião é desnecessária e, em alguns pontos, até contrária à existência. Além do mais, a criação de bens materiais para solucionar problemas religiosos é claramente uma contradição. Quase chegando a um concenso, alguns elefantes ainda argumentam que as ferramentas poderiam trazer longevidade e resistências às intemperes da natureza. Esse argumento foi rapidamente descartado. Os elefantes se julgam parte da natureza, não querem se distanciar dela e criar uma nova. Querem acolhê-la e ajudar no seu desenvolvimento, isso significa morrer quando necessário. Nenhum elefante busca a vida eterna, sem nenhum argumento apaixonante, apenas julgam desnecessário. Os elefantes chegam ao concenso de que as ferramentas nunca poderiam superar os prazeres de suas conversas enquanto caminhavam atrás de comida. Se fossem se dedicar a fazer ferramentas provavelmente conversariam menos, debateriam menos, pensariam menos, apenas para produzir mais. Nenhum elefante viu justificativa para tal e, portanto, decidiram desde então se aterem as seus corpos naturais. No máximo criando uma ferramenta ou outra, mas nada muito complexo. Ao descobrir tudo isso um humano comentou: _ Os elefantes acham que seriam muito fracos e covardes se escolhessem viver a deixar a natureza seguir seu caminho evolutivo. -- Rafael Cunha de Almeida (almeidaraf@gmail.com)