PAOCA Era um homem comum do ocidente, com suas influências latinas, gregas e anglo-saxões. Sendo este último o mais atuante, talvez um pouco menos do que já foi um dia. O nome dele era Sandro, mas foi o amigo de um amigo dele que chegou outro dia com um novo tipo de droga. Não tinha bem um nome ainda, a chamavam de planta. Era uma folha verde, não diferente de outras folhas de árvores que a maior parte das pessoas vêem em seu dia a dia. Sandro, seu amigo e seu amigo de amigo experimentaram a planta pela primeira vez num dia desimportante de março. O consumo era fácil, bastava mastigar a folha que perdia-se em um mundo muito melhor que o real. Nesse mundo podia-se fazer o que bem entendesse, era como um sonho controlado, mas com um prazer orgasmico durante toda experiência, acontecesse o que fosse. E o melhor: não dava ressaca. É claro que para as tristes criaturas vivendo no mundo real os usuários pareciam apenas dizer palavras sem sentido e, as vezes, alguns espasmos muito estranhos. Para os drogados isso era comunicação e o sonho de um combinava com o dos outros de maneiras incriveis. Algumas horas depois, sem ressaca, os três foram para um bar tomar um café e conversar sobre as experiências. Para eles era uma pena a viagem ter acabado, mas tão bom quanto a viagem é o sentimento de paz, sobriedade e relaxamento que aparecia depois. Não demorou muito para a planta ganhar popularidade e receber um nome novo: paoca. O motivo do nome é desconhecido até hoje. Quanto mais popularidade a planta ganhava, mais estudos e investimentos sobre ela. Depois de tantos estudos um dia saiu no jornal: os pesquisadores pesquisaram uma pesquisa ciêntifica sobre a paoca e os pesquisadores descobriram, apresentando provas irrefutáveis, que paoca engorda! Você não entenderia a prova, e não cabe aos jornalistas explicá-la. Estranhamente, só depois das primeiras noticias é que surgiram os primeiros casos de obesidade causada por paoca. Eram as pessoas mais obesas que já foram vistas e, juravam, foi tudo por causa da paoca. A maldita folha verde! Ou prazer gordo, como era chamada a apreciação da planta. É claro que gordura não é saudável. E menos saudável ainda são outros novos efeitos da paoca, associaram-na com o cancêr. Cancêr de estomago, esôfago e pele. Seus índices aumentaram muito com a descoberta da paoca. Poderia até ser relacionado ao aumento da poluição no ar, mas melhor não arriscar. Felizmente para toda a humanidade um biólogo suíço, formado em biologia mas que exercia a medicina ilegalmente em seu país, descobriu a cura do cancêr. Ele foi condecorado e promovido a médico. Finalmente agora ele não era chamado de doutor apenas pelo seu doutorado. Infelizmente, para os usuários de paoca, ela foi associada a outras doenças cuja a cura e motivos eram desconhecidos na época. E mais, paoca agora vicia, experimentos complexos em laboratório, envolvendo paoca e ratos, mostrou que 2% da população de ratos e, muito provavelmente, da população humana, viciava-se na droga após usá-la durante vários meses. E voltaram a repetir: é melhor não arriscar. Alguns anos mais tarde uma lei proibindo a paoca em locais publicos foi criada. Os adultos não devem incentivar as crianças a usarem drogas. E, não muito depois, decidiram que os adultos não deveriam incentivar os outros adultos e o uso da paoca foi proibido de vez. Agora ao comprar paoca você estava ajudando no aumento da criminalidade, abuso infantil e adulterio. Enfim, todas as coisas ruins do mundo. Alias, segundo a maior parte das religiões em vigor na época, paoca dava inferno. Enfim, mastigar aquela plantinha verde era uma dessas coisas que se faz uma vez e ninguém mais te olha com os mesmos olhos, nem você mesmo. Depois de tanto tempo Sandro já era um dos viciados em paoca, um verdadeiro problema social. Já tinha sido preso algumas vezes e já tinha sido associado até ao capeta por pessoas que ele conheceu durante a vida. Por isso ele resolveu que deveria viajar para uma região no meio da Africa, a história do lugar é muito extensa para ser contada aqui, mas a região na verdade não era um país reconhecido pela ONU, mas uma região onde morava uma tribo que pouco se importava com os conceitos do mundo sobre a paoca e também não ligava muito para ONU ou qualquer dessas coisas de âmbito mundial. O que eles gostavam mesmo era de paoca. A região era apelidada de paocolândia. Quase ninguém se atrevia ir lá. Sandro chegou em aeroporto internacional perto de pacolândia, também chamada de "terra da perdição" por alguns, e foi seguindo uma estradinha de terra com um carro alugado. Alguns minutos depois ele chegou na maior tribo de paocolândia. Começou, então a se enturmar, ele havia estudado o dialeto local por alguns meses, então conseguia se comunicar razoávelmente. Entretanto, ele eventualmente notou que era muito mais fácil de comunicar com os nativos sob o efeito da paoca todo mundo falava uma lingua parecida sob o efeito. Nos sonhos se transmitia sentimentos e emoções, coisas comuns aos seres humanos como um todo. Nessa tribo eles sempre estavam sob o efeito da paoca. Depois de muito tempo comendo planta as pessoas fazem coisas um pouco produtivas sob o efeito, por exemplo, elas caçam e colhem frutos, nada muito elaborado ou tecnológico, mas o suficiente para a sociedade sobreviver. E sobreviver é tudo que se precisa quando se vive sob o efeito da paoca, afinal, enquanto você está viajando tudo é incrivel, belo e prazeiroso. Fazer sexo depois de ter comido paoca então, é uma das experiências mais únicas e incríveis. Apesar de ser uma sociedade pequena e sem nenhum conforto, aquela era uma sociedade extramamente feliz. Descobriram-se que, mesmo consumindo paoca, havia lugar para algumas desavenças. Por isso, em um dessas viagens loucas, ficou decidido que, para resolver qualquer desavença deve-se perguntar para um cachorro, que eles cuidavam e alimentavam. Se o cachorro latisse uma vez a resposta para a desavença era positiva, senão, era negativa. No final das contas, parte do futuro dos relacionamentos humanos era decidido por esse cachorro. Só comendo paoca mesmo para entender porque isso faz sentido. Entretanto, se todo mundo obedece o cão o método funcionava. E ninguém ousava desobecer, as pessoas são muito influenciáveis depois de comer paoca. Depois de alguns meses Sandro começou a ficar sobrio de tempos em tempos e começou a achar que aquilo não era bom. Ele era um ser humano, tinha a dádiva do pensamento, será que ele deveria gastar todo o seu tempo divagando em uma terra de fantasia? Sem produzir nada, fazendo apenas o suficiente para permanecer vivo. Ainda por cima, ser governado por um cachorro. Isso era demais, ele era um homem, não podia ser subordinado a uma planta e um cachorro. Ele passou a ter ódio do cão e raiva da planta. Passava cada vez mais tempo sóbrio. A vida lá era terrivel, não adiantava reclamar com ninguém, eles não se importavam. Ficavam naquele estado quase vegetativo, eram animais! A vida tem que ter algum sentido mais profundo do que sobreviver a base de paoca. Criar, entender, inventar, inovar, é para isso que servem os humanos. Os que não fazem isso estão vivendo em um nível inferior, desperdiçando suas vidas. Essas foram as conclusões de Sandro. Sandro se achou melhor que aquilo tudo e resolveu voltar para seu país de origem. Parou de usar paoca e se tornou um cidadão exemplar. Hoje em dia ele usa a historia de ter ido na Africa e ter sido viciado em paoca para conquistar garotas nas festas.